Nova York |Financial Times O lucro da Eli Lilly, produtora do Mounjaro, disparou no terceiro trimestre, impulsionado pela forte demanda por seus tratamentos para perda de peso. O resultado levou a farmacêutica americana a elevar pela segunda vez em três meses sua projeção de receita e fez suas ações atingirem um recorde. As vendas do Mounjaro, caneta emagrecedora da Lilly, cresceram 65%, para US$ 10,7 bilhões (R$ 57,6 bilhões), nos três meses encerrados em setembro. Já a receita do Zepbound, indicado para obesidade, avançou 49%, para US$ 5,3 bilhões (R$ 28,6 bilhões). O lucro líquido subiu 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 6,4 bilhões (R$ 34,5 bilhões). Vendas do comprimido Foundayo ficaram abaixo das estimativas, mas desempenho de outros medicamentos sustentou os resultados. - Mike Blake - 18.set.26/Reuters A Lilly afirmou que a "ampla demanda dos consumidores" por seus principais tratamentos contra a obesidade permitiu uma nova revisão para cima de suas projeções. A farmacêutica, sediada em Indianápolis, agora espera registrar receita anual de US$ 91 bilhões (R$ 490,5 bilhões) a US$ 92 bilhões (R$ 495,9 bilhões), ante a estimativa anterior de US$ 85 bilhões (R$ 458,2 bilhões) a US$ 87 bilhões (R$ 468,9 bilhões). As ações subiram mais de 7% na abertura do pregão em Nova York, chegando à máxima recorde de US$ 1.390 (R$ 7.492). Com isso, a valorização acumulada no ano alcançou 27%. Investidores acompanham de perto as vendas do Foundayo, novo comprimido da Lilly para emagrecimento. A empresa tenta reduzir a distância em relação à rival dinamarquesa Novo Nordisk, que saiu na frente no mercado de medicamentos orais para obesidade ao lançar seu próprio comprimido de uso diário em janeiro. Na quinta-feira (29), a Lilly informou que o Foundayo gerou US$ 184 milhões (R$ 991,8 milhões) em vendas no trimestre, abaixo dos US$ 234 milhões (R$ 1,26 bilhão) esperados por analistas, segundo estimativa consensual compilada pela Visible Alpha. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões O analista Evan Seigerman, do BMO Capital Markets, afirmou que o "resultado muito abaixo das expectativas para o Foundayo" provavelmente levantará questionamentos. Ele acrescentou, porém, que a força dos negócios comerciais mais amplos da Lilly torna o desempenho menos preocupante, na avaliação da instituição. Segundo dados da IQVIA, o comprimido Wegovy, da Novo Nordisk, registrou 173.100 prescrições semanais nos Estados Unidos na semana encerrada em 16 de outubro, ante 58.014 para o Foundayo. A Lilly disputa com a Novo a liderança no mercado de medicamentos para obesidade, que movimenta bilhões de dólares, e vende mais tratamentos injetáveis. O desempenho ajudou a empresa a atingir uma avaliação de US$ 1 trilhão (R$ 5,42 trilhões) no ano passado, tornando-se a primeira farmacêutica a alcançar esse patamar. A alta das ações na quinta-feira (29) prolongou uma sequência de ganhos que levou a Lilly à nona posição entre as maiores empresas do índice S&P 500 por valor de mercado. Reguladores americanos avaliam se autorizam o uso do Foundayo também no tratamento do diabetes. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo da companhia, Dave Ricks, afirmou que "cerca de metade" das prescrições de medicamentos da classe GLP-1 nos Estados Unidos é destinada ao tratamento da doença. Uma eventual aprovação para essa indicação seria "mais um pilar" para o desempenho do Foundayo, segundo ele. A Lilly foi uma das três farmacêuticas americanas que elevaram suas projeções nesta quinta-feira (29). A Merck aumentou sua estimativa de lucro após vendas acima do esperado do Keytruda, medicamento de grande sucesso contra o câncer. Já a Bristol Myers Squibb afirmou que sua receita será maior do que o previsto, impulsionada pelas vendas de novos medicamentos. A Lilly espera que a ampliação da cobertura dos planos de saúde ajude a aumentar o número de pessoas que utilizam seus tratamentos. Segundo a empresa, a "expansão da cobertura nos Estados Unidos para o tratamento da obesidade" contribuiu para o avanço da receita trimestral, que cresceu quase 40%, para US$ 24,4 bilhões (R$ 131,5 bilhões). A companhia também desenvolve uma nova geração de medicamento injetável para perda de peso, o retatrutide. A Lilly tem usado os recursos gerados pelos medicamentos contra a obesidade para ampliar suas aquisições. Segundo dados da LSEG, a empresa anunciou operações de fusões e aquisições que somam US$ 31 bilhões (R$ 167,1 bilhões) desde o início do ano, em áreas que vão da oncologia à neurociência. Em julho, a farmacêutica fechou um acordo para comprar a AtaiBeckley, desenvolvedora de medicamentos psicodélicos apoiada pelo investidor Peter Thiel, por até US$ 3,8 bilhões (R$ 20,48 bilhões). Na quinta-feira (29), a Lilly afirmou que essas operações devem reduzir ligeiramente o lucro por ação. Com isso, a projeção para o indicador neste ano caiu para uma faixa de US$ 35 (R$ 188,65) a US$ 36 (R$ 194,04), ante o limite anterior de US$ 36,50 (R$ 196,74).
Eli Lilly bate recorde na Bolsa ap�s alta nas vendas de Mounjaro e Zepbound
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