Eleitores escolheram o �dio, e a pol�tica se torna uma arena de gladiadores

Eleitores escolheram o �dio, e a pol�tica se torna uma arena de gladiadores

As democracias andaram, rodaram, e parecem caminhar para dar razão ao filósofo antiliberal alemão Carl Schmitt. A polarização é um exemplo muito forte do que ele definiu como o centro da vida política, a saber, a identificação dos amigos e inimigos no espaço social e político. Só quando atingimos o nível de odiar o outro a ponto de considerá-lo uma ameaça existencial é que chegamos ao coração do que significa a política. Um diagnóstico, sem dúvida, terrível. Entretanto, nem por isso descartável como chave analítica do mundo em que vivemos. Essas eleições de 2026 parecem dar, cada vez mais, razão a Schmitt. A política seria mesmo feita de ódio? E essa hipótese, se comprovada em alguma medida, seria a verdadeira ameaça a democracia liberal tal como conhecemos? Diferente da Europa da primeira metade do século 20, com suas ditaduras à esquerda e à direita, agora esse ódio circularia pela livre escolha dos cidadãos. "Eu escolho odiar" ou "nós contra eles, até a morte, sem negociação com nenhum adversário". Schmitt é um pensador maldito. Foi do partido nazista e antissemita, apesar de ser acusado por outros nazistas de adesão por oportunismo. A classe acadêmica, jornalística e artística, apesar de respeitosas exceções, costuma ser covarde e oportunista, o que nega o mito de "resistentes". Portanto, Schmitt e Heidegger podem ter sido oportunistas mesmo. De qualquer modo, a maldição, com razão, permanece. Muita gente já sabe que, talvez, a única forma de escapar da polarização é ampliar o repertório em filosofia, história e ciência política, além, é claro, de abandonar o vocabulário viciado das redes. Toda ideologia é burra. A política é o território da violência, segundo o filósofo Francis Fukuyama. Eleições e redes sociais são irmãs gêmeas, não há mais como negar esse fato. E as redes são a mídia do ódio em política. Independe de quão longe formos na análise dessas eleições e do processo que vem se acirrando, principalmente desde as eleições de 2018, que sagrou Bolsonaro presidente, o fato é que a política no Brasil —e não só nele— se torna, a cada dia, uma arena de gladiadores. Para eles, a ideia de diálogo, de busca de consenso e constitucionalidade perde força diante do ódio como afeto essencial da política, tal qual pensava Schmitt. Um sintoma claro disso é a politização do Supremo Tribunal Federal que é marcado, também, pelo ódio como afeto essencial nas relações institucionais. Do ponto de vista da democracia liberal e de seus teóricos, o ódio como afeto essencial da política é o fracasso absoluto da busca por um contrato social que reduza o convívio violento. O ódio na política de hoje é a guerra, por outros meios. Esse primeiro turno das eleições parece apontar para uma humilhação em larga escala da esquerda. Mesmo que Flávio Bolsonaro e Lula terminem quase empatados, pelo que as pesquisas apontavam, Lula estaria a frente numericamente. O cenário que se delineia é um no qual Lula chega aos números previstos, enquanto Flávio vai além dos números previstos para ele. Apesar desse quase empate, simbolicamente, Flávio sai "vitorioso" desse primeiro turno, apesar de todo o pacote de bondades do Lula —que destruiu de vez o equilíbrio fiscal e as contas do governo— e dos escândalos do "Dark Horse" ou das fake news de uma ridícula guerra espiritual. Nunca vi petista rezando para santa. A esquerda está em pânico. Os candidatos nanicos, pelo menos os que passaram de 2% dos votos, são do espectro da direita, mesmo que tenham xingado Flávio na propaganda eleitoral desse primeiro turno. A pergunta é: de onde Lula tirará mais votos? Claro que do primeiro turno para o segundo, muita coisa pode acontecer. Mas a agonia da esquerda não para aí. Lula não tem herdeiros, muito por culpa do seu estilo populista, egocentrado e centralizador. Lula transformou o PT num quintal de irrelevantes. Quando olhamos para o restante do resultado das eleições, por exemplo, o pleito para governadores e senadores, a direita devastou a esquerda em razoável medida. O crescimento da bancada de direita no Senado poderá tentar emparedar o humilhado STF de fato. Trata-se de um passo importante no projeto da direita para os próximos quatro anos, mesmo que Lula ganhe no segundo turno por uma margem quase nula. A esquerda foi derrotada nesse primeiro turno. Hora de rezar? LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.