O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (16), com investidores atentos às decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). Por volta das 9h25, a moeda americana recuava 0,12%, a R$ 5,147. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas, subia 0,07% no mesmo horário. As atenções dos investidores estão voltadas para as decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos EUA. O Fed comunica sua decisão de política monetária às 15h, e a previsão do mercado é de alta da faixa de 3,5% a 3,75% para 3,75% a 4%. Segundo a ferramenta FedWatch, 93% das apostas indicavam uma elevação da taxa nesta tarde. O Copom divulga sua decisão a partir das 18h, após o fechamento do mercado. A mediana das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg é de redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano. Caso se confirmem as expectativas, as decisões tendem a reduzir a atratividade da estratégia de carry trade. Nela, investidores tomam recursos em economias com taxas de juros mais baixas, como os EUA, e aplicam em países com juros mais altos, como o Brasil. "A redução desse diferencial, com tudo mais constante, acaba sendo um vento contrário para o nosso real, porque torna o carry trade menos atrativo, reduzindo o incentivo para quem realiza essa operação. Agora, se qualquer um desses lados não se concretizar, essa mudança no diferencial de juros acaba sendo mais enxuta", afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue. Na terça-feira (15), a moeda americana encerrou o dia em alta de 0,10%, a R$ 5,153, enquanto a Bolsa fechou em alta de 0,54%, a 186.502 pontos. O pregão repercutiu o avanço do petróleo durante o dia. A alta impulsionou às ações do setor de energia, o que contribuiu para a valorização dos ativos domésticos. O cenário político, com o início do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e as decisões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), previstas para quarta-feira (16), também estiveram no radar dos investidores. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. A tensão na guerra do Irã continuou no radar. Nesta terça, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, avançou até 3,55%, a US$ 109,43, na máxima do dia. O movimento favoreceu as ações da Petrobras, que representam cerca de 13% do Ibovespa e valorizaram 3% durante a sessão. O movimento acompanhou o observado nas últimas semanas, quando a alta do petróleo impulsionou os ativos domésticos. "O petróleo seguiu funcionando como principal termômetro do apetite por risco. Uma escalada pressiona o real, embora sustente as petroleiras", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil. Na segunda-feira (14), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que estava "aberto" a dialogar com Teerã, um dia após ter dito que não haveria negociação com o Irã até o término das eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro. Em resposta, Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança do Irã, condicionou a volta das negociações pelo fim da guerra à aceitação das exigências iranianas. "Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que oscila entre 'não há negociações' e 'estamos dispostos a dialogar' com o Irã... Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!", afirmou em post na rede social X (antigo Twitter). Nos últimos dias, os preços do petróleo têm sido pressionados pela escalada do conflito no Oriente Médio. A escalada aumenta os riscos para as exportações sauditas pelo Mar Vermelho, após a obstrução do estreito de Hormuz. Antes do conflito, a passagem era responsável pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A tensão também levou os Estados do Golfo a adiar uma reunião com o chanceler iraniano sobre a gestão de Hormuz na segunda. A perspectiva de inflação mais alta aumenta a cautela dos investidores diante da possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco. O tema deve estar no radar das decisões do Copom e do Fed nesta quarta-feira. Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, a previsão é de que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, métrica oficial da inflação) encerre 2026 em 4,90%. A projeção está acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, considerando o centro de 3% e a tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Nos Estados Unidos, o CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador de inflação antes da reunião do Fed, também avançou em agosto. No mês, o índice subiu 0,4%. Nos 12 meses até agosto, a inflação acumulada foi de 3,4%. Lá fora, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, de 10 anos dispararam e atingiram o maior nível desde 2007, em meio à perspectiva de juros mais altos. Analistas preveem que o Fed eleve a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%. No Brasil, a expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a Selic para 13,75%, ante os atuais 14%. A política brasileira também continuou no radar dos investidores, com a crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro. Nesta terça-feira (15), começou a sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin votaram para juntar o caso de Moraes com o processo contra André Mendonça. A sessão ficaria para o próximo dia 23. Gilmar Mendes também defende a medida. A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.
D�lar abre em queda � espera de decis�es de juros do Copom e do Fed
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