D�lar abre em queda com investidores repercutindo decis�es de juros no Brasil e nos EUA

D�lar abre em queda com investidores repercutindo decis�es de juros no Brasil e nos EUA

O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (17), com investidores repercutindo as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Às 9h46, a moeda norte-americana registrava queda de 0,36%, a R$ 5,133. Na véspera (16), o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo e a última reunião do colegiado antes das eleições presidenciais. Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve, banco central americano) elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, também tomada por unanimidade, com 12 votos a zero, marcou a primeira alta desde julho de 2023 e já era esperada pelo mercado. Na última quarta, a moeda americana fechou em queda de 0,02%, a R$ 5,152, enquanto a Bolsa recuou 0,51%, a 185.547 pontos. Durante o dia, investidores repercutiram a alta dos juros dos EUA pelo Fed. Foi a primeira alta dos juros desde julho de 2023. Naquele mês, a taxa foi elevada para a faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, o maior nível em 22 anos. Desde então, os juros foram reduzidos e, posteriormente, mantidos até chegar à faixa anterior de 3,5% a 3,75%. Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o aumento para 3,75% a foi tomada por unanimidade pelos 12 membros do colegiado. O comunicado afirma que a inflação permanece elevada e que a medida contribuirá para um retorno mais rápido à meta de 2%. "A atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido. Embora a incerteza permaneça elevada, em parte devido a acontecimentos geopolíticos, os gastos domésticos têm se mostrado resilientes. O crescimento da produtividade é forte, e os investimentos de capital permanecem robustos. A criação de empregos tem acompanhado o crescimento da força de trabalho", afirma o documento. A decisão acompanhou a previsão de analistas do mercado. A expectativa de alta, que antes estava concentrada na reunião de outubro, passou a incluir a desta quarta-feira em meio à persistência da inflação no país. O PCE, indicador de inflação preferido do Fed, subiu 3,7% nos 12 meses até julho. O CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador divulgado antes da reunião, também avançou: a inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 3,4%, mesma taxa registrada em julho. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. A decisão ocorre em meio a choques de oferta provocados pelo conflito no Oriente Médio. Nas últimas semanas, a guerra escalou, com novos ataques entre EUA e Irã e ofensivas contra embarcações e instalações de petróleo. O estreito de Hormuz também teve os fluxos interrompidos, e as cotações do petróleo voltaram a superar US$ 100. "A inflação é o problema. A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio", disse Kevin Warsh, presidente do Fed, após a decisão. Nos EUA, a decisão pressionou as Bolsas americanas. S&P 500 e Dow Jones encerraram o dia em quedas de 0,67% e 1,21%. No cenário doméstico, analistas apontam a melhora dos indicadores de inflação como um dos fatores que justificam a redução da taxa básica de juros. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto. Com a redução da taxa confirmada, as decisões tendem a reduzir a atratividade da estratégia de carry trade. Nela, investidores tomam recursos em economias com taxas de juros mais baixas, como os EUA, e aplicam em países com juros mais altos, como o Brasil. Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, diz que os juros dos Estados Unidos ficam 0,5 ponto percentual mais próximos dos do Brasil. Isso torna o cenário para o carry trade no nosso país menos atrativo. A operação serviu como um dos grandes colchões para o real recentemente. A tensão no conflito envolvendo EUA e Irã seguiu no radar dos investidores. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recuou quase 3%. Ao contrário da véspera, a baixa dos preços pesou sobre os ativos locais, em especial as ações da Petrobras, que caíram mais de 3%. O recuo ocorreu após ser noticiado que autoridades dos Estados Unidos se reuniram com representantes dos houthis no fim de semana, segundo cinco fontes familiarizadas com o assunto. De acordo com pessoas a par das conversas, os houthis disseram às autoridades americanas que não tinham intenção de atacar embarcações dos Estados Unidos e que estavam comprometidos com o cessar-fogo firmado com os EUA em 2025, segundo duas fontes. Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar cidades sauditas, atingindo oleodutos e refinarias e interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas alternativas ao estreito de Hormuz. A queda dos preços reduz as expectativas de alta da inflação, o que diminui a cautela dos investidores e favorece ativos de risco. Por outro lado, o movimento prejudica as perspectivas de receita e rentabilidade das empresas produtoras, caso das petrolíferas brasileiras.

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