Disney vai substituir atra��o de carros a gasolina por el�tricos ap�s 71 anos

Disney vai substituir atra��o de carros a gasolina por el�tricos ap�s 71 anos

The New York Times Em 1955, a visão de Walt Disney sobre o que havia de mais moderno se materializou em 40 pequenos carros de cores vibrantes, que permitiam a crianças acionar um pedal de acelerador de verdade e dirigir por uma pista no parque temático de Anaheim. A Autopia, uma das atrações centrais da área Tomorrowland, na Disneylândia, refletia a paixão que os americanos viviam pelo automóvel. As obras do sistema de rodovias interestaduais estavam prestes a começar, os subúrbios se expandiam, as vendas de carros disparavam e o futuro parecia um cupê reluzente, com as janelas abertas, acelerando por uma estrada livre. Menotti com seu carro da atração Autopia, já retirado de operação - Alex Welsh/New York Times Mas a visão de futuro de Walt Disney, concebida em meados do século 20, esbarrou na realidade ambiental atual. A Autopia, única atração original da Tomorrowland ainda em funcionamento, está em desacordo com as rigorosas normas de emissão de poluentes da Califórnia. Agora, após 71 anos, a Autopia será eletrificada. Atualmente, os carros são movidos por motores Honda de quatro tempos e 8,5 cavalos de potência, semelhantes aos usados em geradores ou lavadoras de alta pressão industriais. Eles são barulhentos e emitem gases de escapamento por até 16 horas por dia. O resultado é um microclima de poluição sobre a Tomorrowland, área do parque que abriga atrações como Space Mountain e Buzz Lightyear Astro Blasters. Em algum momento do próximo ano, os motores a gasolina serão retirados de circulação, e a Autopia entrará na era dos veículos elétricos. A decisão foi tomada depois que o Conselho de Recursos Atmosféricos da Califórnia, órgão estadual com amplos poderes regulatórios, notificou a Disney em 2024 por não ter obtido a certificação adequada de emissões para os carros da Autopia. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Em um acordo com o estado, a empresa pagou US$ 56.250 (R$ 309,1 mil) e se comprometeu a "retirar de circulação a frota da Autopia movida a motores a gasolina" até o início de 2027. A Disney recusou vários pedidos de entrevista e não autorizou o New York Times a fazer fotos ou vídeos dentro da Disneylândia para esta reportagem. Sammy Roth, jornalista independente que trabalhou anteriormente no Los Angeles Times, já havia noticiado os planos da Disney. Bob Gurr, que projetou a atração para Walt Disney, afirmou que a mudança está atrasada. "Há 26 anos venho perguntando: ‘Quando vocês vão fazer alguma coisa para se livrar dessa gasolina?’", disse Gurr, de 94 anos, em uma conversa por telefone de sua casa em Los Angeles. "O lugar mais sujo da Terra é a atração Autopia, na Disneylândia, na cidade de Anaheim." Após a entrevista, o representante de Gurr pediu que suas declarações fossem retiradas, afirmando que a Disney havia solicitado ao projetista que parasse de dar entrevistas sobre a atração que criou. Gurr não pediu que a conversa fosse mantida em caráter reservado nem que não fosse publicada. A Autopia funciona, com poucas interrupções, desde que Walt Disney inaugurou o parque, em 1955. Diferentes modelos de carros e patrocinadores, entre eles Honda, Chevron e Richfield Oil, passaram pela atração ao longo dos anos. Em 1971, a empresa afirmou que cerca de 47 milhões de pessoas já haviam dado uma volta na pista. Mantido esse ritmo, o total de visitantes pode ter ultrapassado 210 milhões atualmente. Anacrônica em um mundo de atrações tecnológicas e totalmente imersivas, a experiência de andar na Autopia não é muito diferente de prender um cortador de grama à cabeça. O passeio é irregular, fedorento e barulhento. Adriel Ceja, morador de Los Angeles que visitava o parque com a mulher em um dia recente, disse que a atração parecia ultrapassada. "Ela seria mais moderna e combinaria melhor com a Tomorrowland se fosse um carro elétrico", afirmou. Outros parques da Disney tiveram atrações semelhantes ao longo dos anos, incluindo versões movidas a gasolina em Tóquio e Paris e uma versão elétrica em Hong Kong, fechada em 2016. No Disney World, em Orlando, na Flórida, uma atração semelhante à Autopia se chama Tomorrowland Speedway e ainda usa motores a gasolina. Não há planos conhecidos para eletrificá-la. Mas, na Califórnia, estado com o maior número de veículos elétricos em circulação nos Estados Unidos, a Autopia finalmente se despedirá do motor a combustão. Carrinho de brinquedo relacionado à Autopia está em exibição na casa de Peter Menotti, em Los Angeles - Alex Welsh/New York Times Gurr afirmou que, no início deste ano, executivos da Disney o convidaram para visitar uma instalação e lhe mostraram um modelo da nova Autopia. Segundo ele, a pista será eletrificada, o que dispensaria a necessidade de cada carro ter sua própria bateria. "Será elétrica, mas não da maneira convencional, com uma bateria dentro do carro", disse Gurr. "É algo muito diferente." Gurr afirmou que lhe disseram que a Honda continuaria como patrocinadora, mas a montadora se recusou a comentar seus planos. "Nosso atual contrato de patrocínio com o Disneyland Resort vai até o início de 2027", disse Matt Howells, porta-voz da Honda, em um e-mail. "As conversas sobre o futuro da parceria e do patrocínio à atração Autopia estão em andamento." Assim como outras montadoras, a Honda está reduzindo suas vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos, após republicanos no Congresso encerrarem os subsídios federais destinados a estimular a comercialização desses modelos e em meio aos esforços do governo Trump para promover carros movidos a gasolina. O único modelo totalmente elétrico da Honda atualmente à venda, o Prologue, deve sair de linha no próximo mês. A empresa não anunciou um novo veículo elétrico para o mercado americano. Quadro de Autopia está exposto na casa de Peter Menotti - Alex Welsh/New York Times Como muitas atrações da Disney, a Autopia inspirou uma legião de fãs entusiasmados. Um dos principais é Peter Menotti, que conheceu o brinquedo quando era menino e ficou imediatamente fascinado. "Não sei como descrever, cara", disse Menotti, de 59 anos, super fã da Disney que administra uma empresa de impressão 3D em Los Angeles, ao recordar seu primeiro passeio. "É aquela sensação de criança de que tenho poder, tenho um carro, posso dirigir, estou crescendo." Em 2001, Menotti comprou um carro desativado da Autopia e gastou US$ 65 mil (R$ 357,18 mil) para restaurá-lo. Um amigo que trabalhava na Disney retirou de forma clandestina os projetos técnicos originais do veículo, o que permitiu a Menotti fazer uma restauração minuciosa, com direito a um volante impresso em 3D e um sistema de suspensão que lhe permite passar por lombadas. Há uma diferença importante: os carros da Disneylândia atingem no máximo 9,7 km/h, enquanto o modelo de Menotti pode chegar a 29 km/h. Menotti mantém seu carro da Autopia coberto por uma lona na garagem de sua casa, perto do Aeroporto Internacional de Los Angeles, e o leva para passeios ocasionais. Em uma tarde recente, ele acelerou o motor e percorreu as ruas do bairro com um repórter no banco do passageiro. "Isso faz parte da magia", disse, enquanto a fumaça se espalhava pelo ar. "É aquele cheiro de gasolina que faz você voltar no tempo. Sem aquele barulho de ‘buh-buh-buh-buh-buh’, não é a mesma coisa." Sobre o futuro da Tomorrowland, Menotti disse que continuaria sendo fã mesmo que a Autopia passasse a ser totalmente elétrica. "Gostaria que ela continuasse como está? Sim", afirmou. "Mas eles precisam fazer o que precisam fazer. Quer dizer, estamos avançando em direção ao futuro."

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