O regime de Cuba zombou na sexta-feira (23) do "desespero" dos Estados Unidos, depois que Washington convocou os cubanos a colaborar com a CIA, em meio à intensificação da pressão americana sobre a ilha comunista. "Agora os EUA recorrem ao recrutamento público para a CIA", escreveu no X o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío. "Deve haver muito desespero ou miséria dentro da agência para que ela seja obrigada a vender seus serviços como um tubo de pasta de dente." O chamado partiu do secretário de Estado, Marco Rubio, que convidou aqueles que desejam uma mudança em Cuba a procurar a agência de inteligência. "Aproveitem esta oportunidade para promover a mudança que desejam por meio de uma parceria discreta com a CIA", escreveu o chefe da diplomacia de Washington em um post X, sem dar detalhes.Horas antes, o presidente Donald Trump havia dito que os EUA vão "dar um jeito em Cuba" depois de lidar com o Irã e e que Rubio será enviado à ilha para "finalizar o acordo". Havana passa por uma das piores de sua história. No mês passado, o republicano já havia afirmado que os dois países chegariam a um acordo e que não considerava necessária uma intervenção militar. Em outras ocasiões, porém, disse que um de seus objetivos é mudar o regime comunista cubano. Os países mantêm uma relação marcada por décadas de tensão. Os EUA impõem um embargo econômico a Cuba há mais de 60 anos, e o governo Trump intensificou a pressão sobre a ilha depois que forças americanas capturaram o então ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação feita em janeiro.A declaração de sexta ocorreu em um contexto de crise social e colapso energético na ilha, também um efeito do aumento da pressão de Washington sobre Havana. No começo do ano, a Casa Branca impôs bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o que agravou o cenário, marcado pela falta de combustíveis e por apagões frequentes. Esse quadro é intensificado pela deterioração da infraestrutura no país latino. Diante da crise, o ministro das Relações Exteriores da ilha afirmou na Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada no mês passado, que Cuba permaneceria aberta ao diálogo com Washington. Trump, por sua vez, ameaçou na mesma assembleia o emprego de força militar na América Latina e no Caribe. Na sexta, ele não detalhou quais seriam os termos do acordo mencionado nem explicou como pretende conciliar as negociações com seu objetivo de promover uma mudança de regime em Cuba. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Na Presidência, Trump mantém uma relação ambígua com Havana, alternando ameaças e acenos à negociação, como tem sido praxe em seu estilo de negociar. Em março, por exemplo, o republicano disse acreditar que teria "a honra de tomar Cuba" e que poderia "fazer o que quiser" com a ilha, que classificou como uma "nação falida". Dois meses depois, em maio, afirmou acreditar que um acordo diplomático estava próximo, independentemente de uma eventual mudança de regime. Em relação ao Irã, o jornal The New York Times publicou que as Forças Armadas dos EUA e de Israel elaboraram planos para retomar os ataques contra o país persa após as eleições de meio de mandato americanas, que acontecem em novembro. A reportagem menciona autoridades de Washington e outras pessoas a par das discussões.
Cuba diz que EUA est�o desesperados ap�s governo Trump convocar cubanos a colaborar com a CIA
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