Segundo o Ministério da Saúde, o número de atendimentos para problemas de saúde mental relacionados a jogos e apostas no SUS subiu 140% de 2018 a 2025 —quando foram registrados 6.157 atendimentos, quase o dobro do ano anterior. Ademais, as chamadas bets são "elemento central" no comprometimento da renda das famílias, nas palavras do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, ao comentar a ata do Comitê de Estabilidade Financeira, divulgada no início deste mês. Dados tais impactos, o Estado tem o dever de aplicar restrições para coibir as apostas online, da mesma forma como já se dá com bebidas alcoólicas e tabaco —entre as medidas preconizadas pela OMS, estão a alta tributação e a proibição de propagandas e do acesso a menores de idade. Em relação à prática de apostas entre os mais jovens, são preocupantes os resultados da pesquisa recente da Frente Parlamentar Mista de Educação, realizada em parceria com o Equidade.info. De acordo com o estudo feito em escolas de todo o país, 9,5% dos alunos de 11 anos afirmam já ter apostado. A taxa sobe para 32,3% aos 17 anos e 40,1% aos 18 anos ou mais. Nos anos finais do fundamental, a média é de 16,2%; no ensino médio, 27,3%. O nível socioeconômico mais alto está associado a maior probabilidade de apostar, mas a escolaridade dos pais pode reduzir esse risco. O estudo aponta como particularmente vulneráveis os alunos de escolas públicas, de domicílios com mais bens, mas cujos pais não têm ensino superior. A lei de 2023 proíbe o acesso a bets a menores de 18 anos, determina que as plataformas adotem procedimentos de verificação de idade e exige tecnologia de identificação e reconhecimento facial. Os dados sugerem que os alunos estejam usando sites clandestinos ou se valendo de dispositivos para burlar as regras. Além do incremento da educação midiática e financeira nas escolas, o SUS, que recentemente expandiu os serviços de apoio a dependentes de apostas, deve dar maior atenção ao atendimento a crianças e adolescentes. É preciso elevar a tributação. A soma de todos os impostos incidentes sobre a atividade não ultrapassa 35%, enquanto a carga total sobre cigarros e bebidas destiladas supera 70%. Em relação à publicidade, a proibição ou restrições ainda mais severas do que as implementadas pelo Ministério da Fazenda em julho são medidas necessárias. O Brasil precisa avançar na contenção dos efeitos das bets, principalmente para proteger os estratos mais vulneráveis. editoriais@grupofolha.com.br
Conter o avan�o das bets entre os mais jovens
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