A conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, 34, foi encontrada morta na terça-feira (25) em uma área rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas, em Minas Gerais, após sair de casa e não ser mais vista na sexta-feira (21), em um dia em que estava de folga. Segundo a Polícia Civil, o suspeito é um policial militar de 43 anos, preso em flagrante após indicar a localização do corpo aos investigadores. Ele teria confessado o crime. Na segunda-feira (24), em um comunicado urgente, a Prefeitura de Jacuí, cidade onde Maryna trabalhava, informou à população sobre o desaparecimento e pediu ajuda para localizá-la. Maryna, uma mulher trans, havia saído de casa levando apenas o celular. No comunicado, a prefeitura pediu a verificação de imagens de câmeras de segurança em casas, estabelecimentos comerciais e nas ruas para colaborar com as buscas. O corpo estava enterrado em uma cova de dois metros de profundidade, com marcas de tiros na cabeça. Em nota de pesar, a prefeita Maria Conceição dos Reis Pereira (PSD) manifestou solidariedade à família, amigos e companheiros de trabalho da conselheira e lamentou a morte violenta da mulher. "Maryna dedicou parte de sua trajetória à proteção e à defesa dos direitos de crianças e adolescentes, exercendo uma função de grande responsabilidade social e humana", diz a nota. "Sua partida precoce e de forma tão dolorosa deixa uma profunda tristeza em todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-la e conviver com ela". A prefeita também manifestou indignação com o crime e disse defender uma sociedade em que não exista espaço para a violência. Maryna era professora de educação infantil e ficou conhecida na cidade por ser fã de sereias, desde que assistiu a animação "A Pequena Sereia". A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) lamentou a morte brutal da conselheira. "Ser trans, no trabalho, em casa ou nas ruas, ainda significa viver sob uma violência que pode custar a própria vida", disse. TRANSFOBIA Os registros de homofobia ou transfobia cresceram 35,6% no Brasil de 2024 a 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). São considerados para o levantamento os boletins de ocorrência registrados com os delitos, enquadrados na Lei do Racismo. O levantamento também mostra alta de 1,9% nos casos de estupro contra pessoas LGBTQIA+ no mesmo período, enquanto os homicídios dolosos (intencionais) dessa população caíram 14,2% —queda que os pesquisadores dizem não representar necessariamente uma melhora do cenário.
Conselheira tutelar trans � encontrada morta em �rea rural de MG
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