Como atrair talentos para a doc�ncia

Como atrair talentos para a doc�ncia

A formação de professores e a valorização da carreira são elementos centrais para melhorar a aprendizagem. Por isso, são preocupantes os dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica, levantamento do Todos Pela Educação, da Fundação Santillana e da Editora Moderna divulgado na terça (22). Com base no Exame Nacional do Ensino Médio e no Censo da Educação Superior, verificou-se que, em 2024, apenas 14,7% dos ingressantes em licenciaturas estavam na faixa de 20% de melhor desempenho no Enem, ante 32,6% em direito e 81,2% em medicina. Houve queda significativa em relação a 2018 (23,9%). O anuário aponta, ainda, que a formação acadêmica parece não ser suficiente para superar a defasagem de parte dos alunos que entram na universidade: só 20,2% dos concluintes das licenciaturas em 2025 atingiram o nível adequado de conhecimento na prova teórica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), sendo que 42,2% ficaram abaixo do básico. O levantamento também mostra, a partir do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que 7,7% dos formandos do ensino médio tinham conhecimento satisfatório em língua portuguesa e matemática, taxa menor do que a já vexatória de 10,3% em 2019, antes da pandemia. É preciso, portanto, não só atrair jovens com nível mais alto de conhecimento para a docência como melhorar a formação. Relatórios da OCDE apontam que elevar salários é importante, mas não bala de prata, e que se deve considerar o impacto fiscal. Preconizam-se aumento de salário inicial, adicionais para disciplinas e localidades com falta de docentes e uma progressão de carreira baseada em desempenho, não só em tempo de serviço. Em diagnóstico sobre o Brasil, a entidade indica que avaliação e carreira estão pouco conectadas. Melhorar as condições de trabalho (carga burocrática, infraestrutura, apoio pedagógico e liderança escolar) é fundamental —44% dos professores brasileiros disseram estar satisfeitos com as condições de emprego, excluído o salário, ante 68% na OCDE. Uma ação relevante, quando aliada a outras, é a oferta de bolsas para alto desempenho. O Pé-de-Meia Licenciaturas, que fornece ajuda financeira a estudantes com nota acima de 650 pontos no Enem, lançado em 2025, é uma medida nesse sentido que deve ser monitorada. Sem articulação de políticas que tornem a carreira atraente, a educação brasileira continuará num ciclo de formação docente e aprendizagem precárias. editoriais@grupofolha.com.br

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