Clarence Seedorf, a dist�ncia, procura dar nova cara ao aflito time do Corinthians

Clarence Seedorf, a dist�ncia, procura dar nova cara ao aflito time do Corinthians

A fase do Corinthians é tão desoladora que após recente protesto torcedores organizados deixaram o centro de treinamento relatando "dó" dos jogadores. Foi nesse cenário que Clarence Seedorf assumiu o time na última semana, com oito partidas em um mês e meio para evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. A primeira delas será na noite de segunda-feira (19), em Itaquera, contra o Vitória. O holandês já espera ver alguns de seus conceitos em campo, embora só possa acompanhar a distância. Ele ainda está em processo de regularização na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e verá o jogo das tribunas do estádio da zona leste de São Paulo. Um bom resultado no duelo é considerado vital para o alvinegro, que vem de oito derrotas consecutivas no Nacional –sete sob comando de Fernando Diniz e uma com William Batista como treinador interino. A equipe teve uma rodada até aqui positiva, com derrotas de Internacional e Grêmio, e vê a chance de abrir vantagem de três pontos sobre a zona da degola. Após a demissão de Diniz, a diretoria ouviu respostas negativas de diversos profissionais e fez uma escolha surpreendente, ouvindo sugestão de empresários e acertando com Seedorf, de 50 anos, até o fim de 2027. Jogador de robusta trajetória, ele tem carreira bem discreta à beira do campo e não trabalhava como técnico havia sete anos. O ex-atleta foi casado com uma brasileira, atuou no Botafogo e fala bom português, porém admitiu que não vinha acompanhando com atenção o futebol do Brasil. Foi mais um argumento usado por aqueles que torceram o nariz para sua chegada, dada a urgência de sua tarefa, sem tempo para adaptação. "Quero ressaltar a importância das pessoas que trabalham dentro do clube fazendo análises", afirmou, observando que terá estudos de cada adversário antes das partidas. "No final, a bola é redonda, e são 11 contra 11. Joguei futebol 40 anos da minha vida, conheço futebol. Vou me adaptar rapidamente." Para acelerar esse processo, Seedorf adotou desde seu desembarque em São Paulo, na última quarta-feira (14), treinos de manhã e à tarde: curtos, porém intensos. Só no sábado (17) e no domingo (18), para evitar desgaste antes do confronto com o Vitória, a atividade foi em realizada em apenas um período. Além de orientar os atletas nesses treinamentos, Seedorf procurou conversar bastante com alguns deles. Sua grande preocupação nos primeiros dias foi levantar o astral de um grupo abatido –e com recorrentes problemas de atraso de salário. Ganhou função proeminente a psicóloga Anahy Couto, que traçou perfis do elenco para o novo comandante. "Os jogadores precisam de ajuda para ajustar o lado emocional também. Eles se importam com o que está acontecendo", disse o holandês, entre a primeira e a segunda movimentação que dirigiu. "A estrutura é fantástica, e, no futebol, um momento negativo pode virar positivo em dois segundos. Eles estão com vontade, estão feridos. E um leão ferido é perigoso." O treinador adotou medidas motivacionais como mudar o conteúdo das televisões das áreas comuns do CT, que antes exibiam programação de treinamentos, calendário de jogos e tabelas dos campeonatos. A pedido do holandês, as TVs passaram a mostrar lances de gols, vitórias e conquistas. Elas são agora uma realidade distante para o Corinthians, que tem como grande objetivo do fim do ano apenas evitar o pior.

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