Chuva que deixou rastro de destrui��o em PR e SP foi influenciada por El Ni�o e frentes frias

Chuva que deixou rastro de destrui��o em PR e SP foi influenciada por El Ni�o e frentes frias

Os temporais que castigam Paraná e São Paulo nos últimos dias são o resultado dos efeitos do fenômeno El Niño, que ainda está ganhando força, mas já é o responsável pelo rastro de destruição nos dois estados, dizem meteorologistas ouvidos pela Folha. Os problemas começaram ainda na quarta-feira (9), quando fortes chuvas atingiram o Paraná, provocando a cheia de rios que cortam a região do Vale do Ribeira. Houve destruição em redes de abastecimento de água e energia, além de interdições em rodovias. Em todo o estado, 2.468 precisaram deixar suas casas, segundo boletim da Defesa Civil divulgado na manhã desta segunda-feira (14). Desde domingo (13), ao menos uma pessoa morreu e duas seguem desaparecidas no estado. Na tarde desta segunda, o Corpo de Bombeiros afirmou ter encontrado o corpo de um homem às margens do rio Ribeira, em Rio Branco do Sul. A identidade dele não foi divulgada. Ele seria uma das pessoas que estavam em um carro levado por uma enxurrada no domingo de manhã. Motorista e um passageiro tentaram atravessar uma ponte que estava submersa e foram levados pela correnteza. O veículo foi localizado ainda no domingo no rio Ribeira. A outra vítima segue desaparecida. Também no domingo, um morador da comunidade das Pacas em Tunas do Paraná desapareceu por volta das 18h após sair de casa para consertar os canos da água de uma nascente. O que é El Niño? Quais podem ser seus efeitos no Brasil? Tire suas dúvidas sobre o fenômeno Com o corpo achado nesta segunda, o total de mortos no estado em decorrência da chuva chegou a quatro desde a semana passada. Três pessoas de uma mesma família morreram na quinta (10) após a casa onde moravam ter sido soterrada por um barranco em Ponta Grossa (a mais de 100 quilômetros de Curitiba). As chuvas desta segunda deixaram estragos em rodovias. A cidade de Adrianópolis está parcialmente isolada, já que um ponto da BR-467, no quilômetro 6, cedeu integralmente. A professora Heliana Castro, 34, mora em Colombo, mas costuma passar os finais de semana em Adrianópolis, onde nasceu e tem família. Neste domingo, ela disse que teve bastante dificuldade para voltar para casa e relata que seus avós, que vivem na área rural da cidade, estão sem água, sem luz e sem internet. "Eles estão ilhados. A falta de energia é comum. Qualquer chuvinha já acaba a luz. Mas a água, não. E começou a faltar no sábado de manhã", conta ela à reportagem. "A maioria das pessoas que mora na área rural é idoso. E eles estão captando água da chuva para lavar uma louça, até para beber mesmo", diz ela. Mais de 70 cidades paranaenses no total registraram ocorrências associadas às fortes chuvas. No lado paulista, as cidades do Vale do Ribeira são as mais atingidas, onde 152 famílias tiveram de deixar suas casas e comércios com receio das enchentes que atingem a região. Dez das 22 cidades que integram a região estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil divulgado nesta segunda. O cenário é preocupante pela cheia do rio Ribeira de Iguape, que subiu cerca de 12 metros desde o início das chuvas. Na Grande São Paulo, além de alagamentos e quedas de árvores, os bombeiros fazem buscas por um homem de 33 anos que desapareceu após ser levado por enxurrada no sábado (12), em Jandira. Valdiran Pires de Jesus estava com outras duas pessoas quando foi arrastado pela correnteza. Uma mulher de 32 anos conseguiu se salvar ao se agarrar à vegetação na margem do rio. O corpo de Rogério Ferreira Barbosa, 32, foi localizado na madrugada de domingo no piscinão do município vizinho de Barueri. O volume de chuva é tão grande que, em apenas 14 dias, até as 9h desta segunda-feira, o atual mês já é o setembro mais chuvoso na cidade de São Paulo desde 1943, quando começaram as medições do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O acumulado de chuva na estação meteorológica do Mirante de Santana, na zona norte da capital, chegou a 253,8 mm. O volume é três vezes superior à média climatológica para todo o mês de setembro, de 83,3 mm. E um agente da GCM (Guarda Civil Municipal) caiu numa cratera que se abriu na orla de Praia Grande (SP), na Baixada Santista. O incidente ocorreu na noite deste domingo no bairro Caiçara, próximo à rua Vitório Morbin, e foi registrado em vídeo pelo perfil Praia Grande Mil Grau, no Instagram. Assim como na tragédia do Rio Grande do Sul, em 2024, o cenário climático atual é formado pela junção de duas frentes frias que vieram da região Sul do país e estacionaram sobre o norte paranaense e sul paulista, freadas por uma grande massa de ar quente e seco na região central do país. "O El Niño traz massas mais quentes para as regiões Norte e Nordeste. E essas massas mais quentes estão ali concentradas, favorecendo a elevação nas temperaturas e fazendo com que as instabilidades fiquem mais presas aqui em áreas do estado de São Paulo, também no Sul do Brasil", diz Guilherme Borges, meteorologista da startup de monitoramento climático FieldPro. "Normalmente, o El Niño causa chuva no Sul, mas eventualmente a área pode se deslocar um pouco mais para cima. As áreas mais atingidas ficaram entre o Paraná e São Pauo nos últimos dias e isso deve permanecer assim nas próximas semanas", completa Alexandre Nascimento, socio-diretor e meteorologista da Nottus. Os dois meteorologistas afirmam que as chuvas devem diminuir a partir desta terça-feira (15) e dar uma trégua até o sábado (19). No entanto, outra frente fria deve chegar à região no domingo (20), trazendo mais chuva para a região já castigada e com o solo encharcado, o que pode provocar novas enchentes. Devido a esse panorama, a Defesa Civil paulista estuda antecipar o início de sua operação de combate aos efeitos da chuva, que começa oficialmente em 1º de dezembro e vai até o fim do verão.

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