Chefe do tr�fico no Complexo de Israel ordenou ataque a �nibus escolares no Rio, diz pol�cia

Chefe do tr�fico no Complexo de Israel ordenou ataque a �nibus escolares no Rio, diz pol�cia

O traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa ordenou que criminosos do TCP (Terceiro Comando Puro) interceptassem nesta segunda-feira (28) dois ônibus escolares na Linha Vermelha, na zona norte do Rio, segundo informações preliminares da polícia. Conhecido como Peixão, ele chefia o tráfico no Complexo de Israel, que fica na região. Armado, o grupo depredou os veículos e levou as chaves dos motoristas. Ninguém ficou ferido. A abordagem ocorreu na altura do trevo das Missões, em Cordovil. Os ônibus eram de uma escola da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. A instituição pediu para não ter seu nome divulgado. Em nota, disse que os alunos estavam indo em um comboio para uma excursão em Vassouras, no sul do estado, quando foram interceptados. O colégio afirmou também que acionou seu protocolo de segurança e que os estudantes seguiram viagem depois que a situação foi resolvida. O tenente-coronel Paulo Vidal, comandante do BPVE (Batalhão de Polícia de Vias Expressas), disse à Folha que a ação dos criminosos seria uma resposta a uma operação realizada também nesta segunda pela polícia contra o TCP no Complexo da Maré. "A principio seriam marginais ligados ao TCP, mesma facção da Vila dos Pinheiros [onde ocorreu a operação policial], que fizeram essa ação de retirar as chaves dos ônibus com intuito de bloquear a Linha Vermelha", disse ele. Vidal afirmou ainda que apesar do ataque aos ônibus ter ocorrido próximo a uma favela do Comando Vermelho (fação rival do TCP), a inteligência da polícia aponta que os criminosos saíram de Vigário Geral, reduto de Peixão. Em nota nesta segunda (28), o governo do Rio de Janeiro afirmou que "repudia veementemente o ataque de facção criminosa à população, provocando feridos a tiros, atravessando ônibus em vias, impedindo o funcionamento de serviços públicos e o direito de ir e vir da população. As vítimas já foram acolhidas" Após o caso, o policiamento foi reforçado na Linha Vermelha. Apontado como um dos traficantes mais procurados do estado, Peixão nunca foi preso. A reportagem não identificou defesa registrada em seu nome nos processos contra ele no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Embora integre a cúpula do TCP, Peixão comanda com autonomia as áreas sob seu domínio, sem ingerência da facção. De acordo com a polícia, já se escondeu em Santa Catarina com documentos falsos. Ele tem ao menos 131 registros de ocorrências criminais, com condenações por homicídio e tráfico. Ataques a vias expressas fazem parte do histórico atribuído a Peixão. Em 2017, após repelir uma tentativa de uma facção rival de tomar seu território, ele teria mandado incendiar veículos para travar a chegada de viaturas e escapar do cerco policial. Nove ônibus e dois caminhões foram queimados. Em 24 de outubro de 2024, segundo a inteligência policial, ele teria ordenado que seus subordinados atirassem contra a população para escapar de outro cerco. Seis pessoas foram baleadas em um raio de quatro quilômetros, e três morreram. Depois do episódio, a Polícia Civil passou a investigar Peixão por terrorismo, crime com pena de 12 a 30 anos de prisão. Mentor dos chamados traficantes evangélicos, Peixão criou o Complexo de Israel na pandemia de Covid-19, ao tomar áreas antes sob controle do Comando Vermelho. Seus subordinados formam um grupo conhecido como Tropa do Arão, nome bíblico do irmão de Moisés que o traficante adotou ao se batizar. Peixão marca território com bandeiras de Israel e versículos nos muros e expulsou moradores de outras religiões, como umbandistas.

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