Chefe da campanha de Lula critica Kassio no TSE e vai denunciar interfer�ncia da Meta nas elei��es

Chefe da campanha de Lula critica Kassio no TSE e vai denunciar interfer�ncia da Meta nas elei��es

O coordenador-geral da campanha do presidente Lula (PT), Edinho Silva, disse que vai denunciar a Meta, responsável pelas plataformas do Instagram, WhatsApp e Facebook, por possível boicote a conteúdos favoráveis ao petista. Segundo ele, a big tech está cometendo uma ingerência na disputa eleitoral em benefício de Flávio Bolsonaro (PL), o que ele chamou de atrocidade. À Folha Edinho relatou ter se queixado ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, da derrubada do canal "Exército de Lula", com mais de 4 milhões de participantes. O presidente do PT diz ainda que o resultado do primeiro turno é de responsabilidade coletiva e que não se sentiu desautorizado com a convocação de reforços para a campanha. Apesar dos atos de rua, pesquisas apontam para vitória de Flávio Bolsonaro. Como reverter esse cenário? Essa ideia do tesouraço do Flávio deixou a sociedade muito preocupada. Tesoura vai cortar o quê? Imediatamente as pessoas fazem uma comparação com a motosserra do Milei na Argentina. Essa mobilização Brasil afora vai refletir nas pesquisas. O PT vai investir mais nessa campanha do medo ou no desgaste da imagem do Flávio? O medo é despertado pelo que Flávio Bolsonaro fala. Ninguém tem medo de algo que não existe. Quem falou em tesouraço e em reforma constitucional foi o Flávio Bolsonaro e a assessoria dele. Quando você fala em cortar R$ 200 bi, as pessoas raciocinam: que corte é esse que se vai executar? Houve notícia de que Geraldo Alckmin poderia vir a comandar o Ministério da Fazenda. Isso vai ser anunciado? Alckmin tem cumprido um papel muito importante e a vice-presidência já é um espaço robusto. Seria muita ingenuidade anunciar ministro no meio de uma disputa, mesmo sendo vice-presidente. Abriria debate de ocupação de cargo no meio da campanha. Seria uma insensatez política. Há quem defenda maior presença dele em vez da primeira-dama [Janja]. Qual foi o papel dela na campanha? Essa contradição não existe. São tarefas distintas. A Janja tem cumprido um papel importante, principalmente no diálogo com as mulheres, na defesa das políticas de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. Tem opiniões importantes em relação às redes. Quem convenceu o presidente a fazer selfie? Ela defendeu muito. E o presidente nunca falou ‘não’, o problema é que na agenda nunca foi priorizado. Sempre aparecia um encaixe. No segundo turno, Janja foi fundamental para que blindassem a agenda dele, tanto é que a primeira do dia hoje [14 de outubro] é a gravação de selfie. Ela foi fundamental nessa construção. O presidente disse, na sua presença, que essa foi a campanha menos organizada de que participou. Sente-se responsabilizado? Não. Todo mundo sabe da minha relação com o presidente, da confiança que ele tem comigo. Ele fez críticas duras a uma estratégia que tentamos construir e não funcionou. Imediatamente corrigimos. Mas o senhor atribui a isso o fato de Flávio ter chegado à frente no primeiro turno? O que conduziu Flávio foi a crise do Supremo. Atingiu o incumbente. Por mais que Lula tenha se posicionado a favor das investigações, aos olhos da sociedade, Supremo, STJ [Superior Tribunal de Justiça], TJ, tribunais, Congresso Nacional, é tudo sistema. É tudo, entre muitas aspas, governo. Lula pagou o preço da crise do Judiciário. O PT perdeu a batalha da narrativa? Não. Fomos dragados pela crise do Supremo. Agora, a sociedade começa a prestar mais atenção em quem é Flávio Bolsonaro. O que o governo Bolsonaro fez, quem congelou salário e aposentadoria? Quem cortou BPC [Benefício de Prestação Continuada] e recursos da Farmácia Popular e desorganizou o SUS? Não podemos esquecer as 714 mil covas que o Brasil abriu durante a pandemia. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados O senhor foi voto vencido quando defendeu participação no debate da Globo e na proibição total das bets. Lula não cometeu erro algum no primeiro turno? Campanha é uma construção coletiva. A posição em relação às bets foi de apoiar a MP do presidente, porque esse problema tem que ser enfrentado. Se tivesse um modelo de debate de confronto direto entre Lula e Flávio, Lula iria. Tanto é que vai agora. O que o presidente Lula mais quer é confrontar o Flávio. E qual vai ser a estratégia para este debate agora? O Flávio tem muito que se explicar. Tem que dizer o que é o tesouraço, de onde cortar e como ele pode falar em segurança pública se condecora integrante do crime organizado. Houve uma discordância com Sidônio [Palmeira, ministro da Secom] sobre as bets. É verdade que deixaram de se falar? Nunca deixei de conversar com Sidônio. Tivemos posicionamento diferente, mas é o que eu digo: a coordenação de campanha é coletiva. Eu acho que a gente acerta juntos e também erramos juntos. O senhor se sentiu desautorizado com as mudanças na campanha? Ao contrário, quem mais defendeu o Camilo [Santana] na coordenação fui eu. Disse ao Rafael [Fonteles] e ao Rui [Costa] que eles deveriam vir ajudar a gente. Houve ainda o canal de [André] Janones. Vocês falavam que era autônomo, mas foi registrado pela campanha. Janones sempre foi uma liderança importante nas redes. Ontem esse diálogo foi muito franco lá no TSE. Peticionamos para que a gente mantenha o canal, mas essa vinculação só tem validade até o julgamento do nosso recurso. Porque acreditamos na autonomia da organização das redes. Disse ao ministro Kassio e aos demais ministros que é um erro achar que as redes não organizam a sociedade. Coibir a organização de grupos de canais nas redes sociais hoje é proibir a organização social. Como vê a atuação do TSE e especialmente do ministro Kassio? Fizemos um debate muito franco e leal com o ministro Kassio. Primeiro, um princípio de que nunca abriremos mão é o cumprimento da legislação. O segundo é o princípio da isonomia, e o terceiro, que foi talvez o debate mais importante, é o respeito à democracia. E a organização nas redes é princípio democrático. Acha que esses princípios não estão sendo respeitados? Em relação ao Janones, claro [que não], disse isso ao ministro. Ele errou. Se formos tirar a autonomia da organização social nas redes, estaremos enfraquecendo a democracia. Uma coisa é o direito de a sociedade se organizar nas redes, outra coisa é fake news. Combater fake news é uma obrigação legal, mas isso não pode ser confundido com o direito de organização da sociedade. Queria perguntar ao senhor sobre a Meta. Entramos na Justiça. O que a Meta está fazendo é talvez uma das maiores atrocidades do ponto de vista da disputa eleitoral brasileira, uma ingerência. Essa manipulação, por exemplo, da inteligência artificial é de uma gravidade absurda. Tanto é que estamos denunciando aos organismos internacionais, além de pedir providência ao TSE. Qualquer cidadão brasileiro que tentou acessar a IA da Meta se deparou com essa manipulação. Vamos até as últimas consequências, denunciando a Meta e a interferência na disputa. Acha que houve mais interferência das big techs do que do Judiciário nessas eleições? O Judiciário tem que garantir isonomia no pleito. Estamos falando de uma multinacional com interesses além dos econômicos, políticos, interferindo. Não tem registro histórico de tamanha violência. Avaliam a possibilidade de questionar o resultado? Vamos usar todos os instrumentos legais que temos nacionalmente e internacionalmente. Vamos buscar todas as nossas articulações internacionais para caracterizar a ingerência da Meta na disputa eleitoral brasileira. Disso não tenho dúvida. Vê digitais do governo Trump? Não sei quem deu a ordem para a Meta, mas [ela] está fazendo. Já vimos registrado que ela estava cerceando o acesso aos nossos conteúdos e liberando os conteúdos do nosso adversário. Aquilo que a gente postava era retido. O que o nosso adversário postava era organicamente impulsionado. O senhor teme que essa interferência possa levar a um resultado injusto? Evidente que isso mexe na isonomia. A própria Meta reconheceu, está documentado, que houve um erro em reter os nossos conteúdos, em ter uma postura totalmente oposta em relação ao nosso adversário. Na presidência do PT, o senhor está preparado para a possibilidade de ir para a oposição? Não, não estou preparado. Estou preparado para ser base do governo do presidente Lula e fazer um governo histórico.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.