As investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entraram na campanha eleitoral da Bahia, consolidando um novo campo de batalha na disputa entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) pelo governo estadual. O escândalo colocou sob pressão os dois grupos que polarizam a eleição baiana, com questionamentos a ACM Neto sobre sua relação com o Master e cobranças ao governador sobre o senador Jaques Wagner (PT) e seu enteado, Eduardo Sodré, ambos investigados pela Polícia Federal. A trégua que marcou o início da campanha, quando os dois lados evitavam atacar adversários com a crise do Master, ficou para trás nas últimas semanas. O PT iniciou uma ofensiva ao repercutir uma proposta de delação de Vorcaro que citava o ex-prefeito de Salvador. O caso foi revelado em reportagem do UOL, que apontou que o banqueiro disse que ACM Neto e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, teriam atuado em favor do Banco Master em institutos de previdência dos estados em troca de 10% dos valores investidos na instituição. A proposta de delação foi negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. O caso passou a ser repetido por Jerônimo Rodrigues que diz que o adversário deve explicações e insinua que, caso eleito, o ex-prefeito poderia cobrar vantagens indevidas de fornecedores do estado. Em entrevista à TV Bahia, o governador criticou uma proposta do adversário chamada de Pix Saúde, que promete comprar vagas na rede privada para casos urgentes quando não houver disponibilidade na rede pública. "Eu não sei se ele vai usar o mesmo que está denunciado, que ele cobrava 10% do recurso colocado. Eu não sei se o Pix é para isso, ele cobrar alguma taxa de 10% ou equivalente na rede particular de saúde", afirmou. ACM Neto reagiu às acusações e disse que processaria o governador por calúnia. Dias antes, ele havia classificado a divulgação do conteúdo da delação como um "vazamento seletivo" e uma ação orquestrada às vésperas da eleição. Relatórios do Coaf apontaram que uma empresa de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do banco Master e da gestora Reag. ACM Neto disse ter prestado serviços de consultoria e que os valores recebidos são lícitos e declarados. O ex-prefeito também está no radar da operação Overclean. A Polícia Federal pediu buscas contra ACM Neto na nova fase deflagrada nesta quinta-feira (17), mas o relator da apuração, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques negou a solicitação. Desde então, petistas têm cobrado que o candidato ao Governo da Bahia da oposição abra voluntariamente seus sigilos bancário e fiscal. Nesta semana, os embates chegaram à esfera da Justiça. Na quarta-feira (16), PT, PCdoB e PV protocolaram uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que pede o levantamento do sigilo e o acesso público aos autos das investigações que envolvem o ex-prefeito de Salvador. A petição busca também verificar se houve conduta parcial do ministro André Mendonça em favor do grupo político de ACM Neto, o que é apontado pelos advogados como uma interferência indevida no processo eleitoral. A reação do grupo político de ACM Neto veio no dia seguinte. União Brasil e PP apresentaram na quinta-feira (17) uma representação à Procuradoria-Geral da República sugerindo o afastamento de Eduardo Sodré, enteado de Wagner, do cargo de secretário de Meio Ambiente da Bahia. "Ele está sob investigação em função de uma grave denúncia, que é incompatível com o exercício da função de secretário", afirma o deputado federal Arthur Maia (União Brasil), presidente da federação União Progressista na Bahia. Ele acusa o governador de fazer um escrutínio seletivo, ao cobrar explicações dos adversários, mas não dos aliados. E cita casos do governo baiano cujos contratos estão sob investigação, caso da Sufotur, superintendência estadual de turismo. Ao contrário do presidente Lula, que afastou Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, o governador optou por manter Eduardo Sodré no cargo de secretário estadual, mesmo com as investigações da Polícia Federal. "Ele foi citado, não tem nada que o impeça de praticar sua profissão. Portanto, eu estou ainda na agenda da ética", disse Jerônimo, ao ser questionado pela Folha sobre o assunto. A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões da PLK One Participações, firma vinculada à operação Credcesta, para uma microempresa da esposa de Eduardo Sodré, Bonnie Bonilha. A empresa pagadora é ligada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. O secretário está submetido a medidas cautelares, incluindo restrições de contato com outros investigados, proibição de atuação nas empresas sob investigação e suspensão do passaporte, o que o impede de sair do país. Desde que foi alvo da operação Compliance Zero, em junho, o secretário reduziu as agendas institucionais e ainda não se manifestou publicamente sobre as investigações da Polícia Federal. O senador Jaques Wagner, candidato à reeleição ao Senado, segue em campanha ao lado do governador. Ele tem afirmado que vai provar sua inocência na Justiça. A Polícia Federal apura se o senador recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, por meio da empresa da nora dele, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. A Bahia vive um cenário de empate técnico na governo do estado: ACM Neto tem 39% das intenções de voto, ante 37% de Jerônimo Rodrigues, segundo pesquisa Quaest de 27 de agosto.
Caso Master vira muni��o eleitoral na Bahia, com dela��o, processos e secret�rio sob press�o
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