Boom de data centers de IA nos EUA exige US$ 110 bi em novas usinas de energia, diz Moody's

Boom de data centers de IA nos EUA exige US$ 110 bi em novas usinas de energia, diz Moody's

O boom dos data centers nos Estados Unidos exigirá investimentos de US$ 110 bilhões (R$ 565,8 bi) para construir 45 gigawatts de nova capacidade de geração de energia até 2030, segundo análise da agência Moody’s Ratings. A maioria dessa nova oferta —mais de 30 gigawatts— virá de unidades movidas a gás natural e representará uma demanda adicional de cerca de 4 bilhões de pés cúbicos de gás, de acordo com relatório divulgado na segunda-feira (14). A maioria da oferta restante virá das energias solar e de armazenamento, enquanto a reativação de usinas nucleares responderá por menos de 5%. Um gigawatt equivale à produção de um reator nuclear convencional. Data center da AWS nos EUA - Anna Moneymaker - 26.ago.26/Getty Images via AFP A projeção se baseia na estimativa da AIE (Agência Internacional de Energia) de que os data centers consumirão 426 terawatts-hora em 2030, dobrando sua participação no uso de eletricidade nos EUA para 10%, em comparação com os níveis de 2025. A previsão da Moody’s quantifica o que seria necessário para produzir a energia suficiente para abastecer os data centers voltados à IA e à computação em nuvem. Esses centros estão impulsionando a maior expansão da demanda por eletricidade nos EUA em décadas e alimentando uma enorme ampliação da infraestrutura necessária para sustentá-la. A Casa Branca classificou a corrida pela IA como uma prioridade nacional e apoia algumas das maiores empresas do mundo enquanto elas buscam lucros elevados. Mas essa expansão tem um custo. O governo enfrenta a oposição de americanos preocupados com a possibilidade de famílias e empresas comuns estarem subsidiando a IA por meio do aumento das contas de luz, da poluição, da escassez de água e de ameaças a terras públicas e propriedades privadas. Somente a construção de novas usinas, ao custo de US$ 110 bilhões, poderia acrescentar entre US$ 25 bilhões (R$ 128,6 bi) e US$ 30 bilhões (R$ 154,3 bi) por ano aos custos de eletricidade nos EUA. Como esse valor será repassado aos consumidores dependerá do processo de definição de tarifas e de outras regras de alocação de custos em cada região, afirmou Ryan Wobbrock, vice-presidente sênior de ratings do grupo global de financiamento de infraestrutura da Moody’s Ratings. Os data centers arcarão diretamente com até US$ 15 bilhões (R$ 77,1 bi) desses custos, pois estão financiando a construção de usinas em seus campi de IA, afirmou. Esses projetos de geração local, conectados diretamente às instalações dos data centers, representam cerca de 30% de toda a expansão prevista até 2030. Após duas décadas de baixo crescimento da demanda, os EUA vêm enfrentando dificuldades para impulsionar a construção de geradores a gás em um setor no qual os projetos normalmente levam anos para entrar em operação. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.Esses geradores são cobiçados porque sua produção pode ser aumentada sob demanda, ao contrário das fontes renováveis, que dependem da incidência de luz solar e da velocidade dos ventos. Em meio às preocupações com os custos, "políticos e reguladores federais e estaduais estão exigindo mais tempo para analisar e estruturar as tarifas, criando uma nova fonte de possíveis atrasos para novos projetos de data centers", segundo o relatório liderado por Wobbrock. "O ritmo de desenvolvimento dos data centers supera cada vez mais a velocidade com que a rede elétrica consegue ampliar sua capacidade de geração, transmissão e interconexão."

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