As bets viraram as maiores vilãs desta eleição. E olha que vilão é o que não falta numa campanha que tem Daniel Vorcaro e os ministros enrolados do Supremo. A oposição aos sites de apostas uniu Lula e Flávio, Tarcísio e Haddad, esquerda e direita. Uma verdadeira façanha, portanto, em um país tão dividido. E por que isso aconteceu? Primeiro, porque ninguém levou a sério os efeitos das bets sobre saúde mental, convivência familiar e, principalmente, endividamento das pessoas. Muito mais importante na discussão foram os impostos arrecadados com essas empresas. O ex-presidente Michel Temer legalizou as bets em 2018 e determinou que elas fossem regulamentadas. Mas isso foi ignorado por seu sucessor, Jair Bolsonaro. Elas assim passaram a funcionar sem fiscalização. No final de 2023, no governo Lula, o Congresso finalmente aprovou uma lei e as bets passaram a ter regras. Desde então, elas inundaram o mercado publicitário, os eventos culturais e, claro, o futebol. Menos de três anos depois, porém, essa aposta deu errado. Em maio, uma pesquisa Datafolha mostrou que 65% dos brasileiros defendem o fim das bets, citando justamente o vício e as dívidas. E é aí que entra a campanha eleitoral. Para Lula, que enfrenta uma eleição apertada, ir para cima das apostas é um jeito fácil de fazer um agrado à opinião pública. Primeiro ele pensava em restringir a publicidade das bets, mas no fim decidiu por uma solução mais radical, proibindo de vez. Não é uma decisão totalmente tranquila, porque penaliza quem joga de maneira responsável (sim, essas pessoas existem), além de contrariar clubes de futebol, emissoras, influenciadores e promotores de eventos. Também existe o risco enorme de que grande parte dos apostadores simplesmente migre para sites ilegais, que são uma terra sem lei, sem regras e sem pagar impostos. E por fim, é quase certo que as bets entrem na Justiça pedindo indenização ao governo pelo rompimento de contratos. Mas para o governo, os ganhos potenciais de popularidade superam esses riscos. E mais importante para o Lula, a decisão pega a campanha do Flávio no contrapé, porque ele não tem muito como criticar essa medida. No máximo, ele pode dizer que a proibição é eleitoreira. E com isso até o Lula vai ter que concordar. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Bets viram as vil�s da elei��o e alvo f�cil para Lula; veja v�deo
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