BC alerta para expans�o das d�vidas das fam�lias

BC alerta para expans�o das d�vidas das fam�lias

O Banco Central tem dado avisos de que pretende tomar providências a respeito de problemas relacionados ao endividamento das famílias. Pelo que se adianta, atenção maior deve ser dada a dívidas tidas como inviáveis, tais como as contratadas por meio de cartão ou crédito pessoal sem garantias. Depois de uma fase de inclusão acelerada, seria preciso passar a uma nova etapa da "cidadania financeira", nas palavras do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Por esse raciocínio, novos clientes do sistema não foram suficientemente informados sobre uso de instrumentos de crédito, em particular de cartões, contraindo compromissos pesados sem que os recursos tenham servido à constituição de patrimônio. As medidas, segundo o BC, serão apresentadas em alguns meses. Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização, disse que as mudanças podem tratar de inadimplência, do caso das apostas online, de incremento de informação e de linhas de crédito mais caras. Dado o peso cada vez maior desse tipo de empréstimo na dívida das famílias, o órgão "prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos associados a essa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro", como se lê na ata do Comitê de Estabilidade Financeira. O país parece ter acordado para o fato de que o tamanho relativo da dívida —em um período de juros nas alturas, impulsionados pela política de gastos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)— tornou-se uma questão crítica. Depois de anos estagnada, a taxa de bancarização aumentou de 86,5% em 2017 para 96,4% em 2024. Isso pode ter contribuído para problemas no crédito, embora o endividamento bancário como proporção da renda anual das famílias aumente há ao menos duas décadas. De perto de 17% em 2005 passou para a casa de 38% em 2013, ficando mais ou menos estável até 2018. Houve um novo salto nesta década, para 49% em 2022. Nesses anos, a regulamentação das fintechs produziu efeito maior. A pandemia e o pagamento do auxílio emergencial forçaram a bancarização digital. O Pix passou a funcionar em fins de 2020. Taxas de juros menores nos anos pós-recessão e durante a crise da Covid incentivaram a tomada de empréstimos. Era uma conjunção favorável ao endividamento. A questão não é nova, pois. Em maio passado, a dívida das famílias estava em 49,8%, próximo do nível do final da pandemia. Porém o comprometimento da renda com os pagamentos subiu de 22,6% no início de 2020 para 28,5% em maio último, devido à alta dos juros. A inadimplência cresce sem parar ao menos desde o início de 2025. Os problemas vão além de dívidas e juros. Orçamentos domésticos apertados por níveis altos de preços, bets e uso imprudente do crédito contribuem para a situação. Mas a normalização financeira passa, necessariamente, pelo ajuste das contas do governo. editoriais@grupofolha.com.br

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