Bar l�sbico nos EUA gera pol�mica ao flexibilizar m�scaras contra Covid em pleno 2026

Bar l�sbico nos EUA gera pol�mica ao flexibilizar m�scaras contra Covid em pleno 2026

Alguns moradores passaram pelo bar lésbico Last Ditch no início da noite de sábado (26), com a intenção de gastar alguns dólares para apoiar um estabelecimento em dificuldades que havia se tornado uma espécie de celebridade. Mas a porta roxa do bar estava fechada. O local só abriria às 22h. "Tenho muitos amigos na comunidade queer e odiaria ver este lugar fechar as portas", disse Melinda McCreven, que nunca havia visitado o Last Ditch, mas foi até lá para tentar gastar algum dinheiro. O Last Ditch, um bar no subsolo, ao pé de uma escada de concreto, sob um restaurante mexicano, ganhou destaque na imprensa da Europa e dos Estados Unidos nesta semana depois que uma reportagem do Boston Globe sobre o plano do bar de suspender a exigência do uso de máscaras contra a Covid-19 nas noites de sábado viralizou. A reportagem veio depois que um podcast abordou uma reunião acalorada e hostil, que durou horas, na qual frequentadores do Last Ditch e sua proprietária discutiram se o bar estava abandonando sua missão de acolher a todos. No início da noite, uma placa na porta informava que outra reunião estava sendo realizada lá dentro. Greenfield, cidade de cerca de 17 mil habitantes no oeste de Massachusetts, não está acostumada aos holofotes nacionais. Quando a noite caiu no sábado, o centro ficou silencioso. Um homem de barba longa e desgrenhada estava sentado sozinho em um banco, com os olhos voltados para baixo. Outro homem, aparentemente transtornado, gritava perguntas enigmáticas para quem passava, como "Como se constrói um arranha-céu?" e "Que tipo de música é o jazz?". Alguém chamou a polícia. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Um grupo que não conseguiu entrar pela porta roxa do Last Ditch percorreu meio quarteirão para jogar dardos no Victoria, um bar frequentado por moradores locais, com uma minúscula bandeira do orgulho LGBTQIA+ na janela. "Amigos de todo o país têm me enviado as matérias sobre isso", disse Hallie Abelman, 34, referindo-se à controvérsia do bar. "É o assunto da cidade." Enquanto ela era entrevistada do lado de fora do Victoria, um homem tentou pedir um cigarro ao grupo. "Há muitas Greenfields diferentes", disse Phoebe Glick, 35, que também tentou entrar no Last Ditch. Há esquerdistas alternativos, apoiadores conservadores do Maga (sigla para Make America Great Again, ou Faça a América Grande Novamente), pessoas de todas as faixas de renda e uma comunidade LGBTQIA+ que vem migrando de lugares como Northampton em busca de moradia mais barata, afirmou. Por volta das 18h30, quatro pessoas de máscara saíram do Last Ditch e confrontaram um pequeno grupo de jornalistas que permanecia do lado de fora. Quando um fotógrafo tirou uma foto delas com flash, exigiram que ele apagasse a imagem e ameaçaram chamar a polícia se os outros repórteres não fossem embora. Três pessoas que moravam juntas —Asa Rosario, Jackie Matellian e Sage Territo— abriram o bar em 2025 como um espaço de diversão para "Sapatonas, Transexuais, Aberrações de Gênero, Trabalhadores e seus amigos". Dois bares queer da região haviam fechado nos últimos anos, e elas esperavam suprir essa carência. O oeste de Massachusetts pareceria um ambiente repleto de clientes para um estabelecimento desse tipo: o vizinho condado de Hampshire tem a maior proporção de domicílios formados por casais de lésbicas do país, segundo o Censo de 2020. A fama repentina do bar decorre do fato de que ele nunca saiu realmente da era da pandemia, embora tenha sido inaugurado apenas no ano passado. Os frequentadores são obrigados a usar máscaras KN95 ou de proteção superior, coberturas faciais onipresentes no auge da Covid-19 e que, há muito tempo, a maior parte do país havia relegado a higienistas dentais e a pessoas que não querem ninguém sentado ao seu lado no trem. Em retrospecto, os sentimentos explosivos em torno da política de segurança do bar contra a Covid já estavam à espreita desde o dia em que as proprietárias anunciaram a regra nas redes sociais, pouco antes da inauguração. Uma pessoa respondeu com gratidão, dizendo que se sentia "excluída dos espaços queer por ser uma pessoa queer, com deficiência e imunocomprometida". "Com todo o respeito", escreveu outra pessoa, sem saber que estava prenunciando a controvérsia internacional que viria, "vocês considerariam reservar uma noite por semana em que o uso de máscara fosse opcional?". Uma terceira pessoa levou a discussão ao extremo: "Ou seja, uma noite por semana em que pessoas com deficiência/de alto risco não são bem-vindas. Onde está o respeito que você mencionou?". Após a inauguração, o novo bar manteve uma agenda movimentada de eventos, com festas de dança e karaokê, shows de drag, encontros para assistir a jogos da NBA feminina e um espetáculo de variedades anunciado como "Não é o burlesco da sua avó". As divulgações dos eventos do Last Ditch nas redes sociais muitas vezes incluíam um lembrete para usar máscara. Com o tempo, porém, o movimento diminuiu, e o bar passou a enfrentar dificuldades financeiras. Buscando atrair mais clientes, a direção anunciou nas redes sociais, em 31 de agosto, que o uso de máscara passaria a ser opcional no Last Ditch nas noites de sábado. Centenas de comentários surgiram, e a angústia foi um prato cheio para os trolls da internet. Nos dias seguintes à viralização da reportagem do Globe, surgiu uma reação à reação negativa, com pessoas zombando dos frequentadores do bar por meio de comentários cruéis nas redes sociais e longos artigos opinativos. À medida que se aproximavam as 22h, várias dezenas de pessoas —casais e pequenos grupos— caminharam sob uma chuva fraca até o Last Ditch. Patricia Sonaike, 24, estudante da Universidade de Massachusetts em Amherst, disse ter se interessado em visitar o Last Ditch depois que o bar anunciou a flexibilização de sua política de máscaras, antes que a controvérsia chegasse ao noticiário. A nova política, afirmou, é uma tentativa de ampliar a clientela do bar. "As pessoas estão esquecendo que este é um negócio que precisa de receita", disse ela. Duas professoras visitantes do Smith College, LeiAnna Hamel e Gianna Albaum, disseram que tentaram entrar no Last Ditch, mas foram barradas porque não conheciam ninguém que já estivesse lá dentro. Disseram a elas que o evento era uma "festa privada". A recomendação foi que voltassem outro dia, quando o alvoroço tivesse diminuído.

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