Australiana Lynas anuncia compra de dona de megaprojeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilh�es

Australiana Lynas anuncia compra de dona de megaprojeto de terras raras em MG por R$ 3,5 bilh�es

A australiana Lynas Rare Earths anunciou nesta quarta-feira (30) um acordo de aproximadamente R$ 3,5 bilhões para comprar a Meteoric Resources, companhia também da Austrália e responsável pelo Projeto Caldeira, empreendimento de terras raras previsto para o sul de Minas Gerais. A operação prevê a aquisição de 100% das ações da mineradora e ainda depende de aprovações. O negócio é divulgado duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que pretende estimular o processamento desses materiais no Brasil e amplia o poder do governo sobre mudanças de controle de empresas do setor. Conforme informações obtidas pela Folha, o governo brasileiro foi previamente informado de que a negociação estava em curso. A intermediação envolveu a Casa Civil da Presidência da República. O pagamento será feito integralmente em ações. Os acionistas da Meteoric passarão a deter cerca de 5,9% da companhia combinada. A votação do negócio está prevista para janeiro de 2027. Além do preço da aquisição, o estudo de viabilidade de Caldeira estima investimento de US$ 498 milhões (R$ 2,6 bilhões) para desenvolver o empreendimento. Esse valor já tinha sido projetado pela Meteoric antes da aquisição. O plano prevê uma operação de 23 anos e produção média de 12,5 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras. Com operações na Austrália e na Malásia, a Lynas é uma das principais produtoras de terras raras do mundo. A companhia vai avaliar a possibilidade de desenvolver atividades de separação desses elementos no Brasil, uma das etapas industriais mais importantes da cadeia. Até o momento, porém, não há compromisso formalizado de construir uma unidade de separação no país.O projeto Caldeira é o principal ativo da Meteoric. O empreendimento tem áreas nos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas, numa região que concentra o interesse de mineradoras estrangeiras em depósitos de terras raras e que tem causado forte repercussão ligada a impactos socioambientais na região. As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em diferentes aplicações industriais. Alguns são essenciais à fabricação de ímãs de alto desempenho empregados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Em comunicado, as empresas afirmaram que Caldeira reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China. Nesse tipo de depósito, os elementos estão associados às partículas de argila, diferentemente de jazidas em rocha dura exploradas pela Lynas na Austrália. As companhias informam que os recursos minerais de Caldeira contêm aproximadamente 802 mil toneladas de neodímio e praseodímio e 41 mil toneladas de disprósio e térbio. Esses números representam estimativas de material contido no depósito. A Meteoric concluiu recentemente o estudo de viabilidade do empreendimento, etapa que reúne avaliações de engenharia e econômicas para orientar sua implantação. Ainda são necessárias as licenças ambientais para construir e operar a mina. Segundo a Lynas, a incorporação do projeto Caldeira aumentará em 79% seus recursos minerais e em 26% suas reservas de minério. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões A Lynas tem experiência em mineração, processamento e separação. A conclusão do negócio depende de aprovação dos acionistas da Meteoric e autorizações regulatórias aplicáveis na Austrália e no Brasil. A nova lei dos minerais críticos, sancionada em 16 de setembro, criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), vinculado à Presidência da República. Entre suas atribuições está homologar mudanças de controle, diretas ou indiretas, de empresas titulares de direitos minerários relativos a esses materiais, conforme a regulamentação. Na ocasião da sanção, o governo anunciou a regulamentação do colegiado e a nomeação de seus integrantes. A implementação da política envolve definir critérios para analisar projetos e operações do setor. A possibilidade de separar terras raras no Brasil toca um dos pontos centrais da nova legislação, que pretende ampliar a participação do país nas etapas industriais de maior valor. A separação transforma uma mistura de elementos em produtos específicos que podem ser utilizados pela indústria. Essa etapa é diferente da extração do minério e da produção de um concentrado.A interlocução com Brasília ocorre após a reação do governo Lula à venda da Serra Verde, em Goiás, para a americana USA Rare Earth, em um negócio de US$ 2,8 bilhões apoiado pelo governo dos Estados Unidos. A falta de comunicação prévia com o Executivo brasileiro provocou irritação de Lula e reforçou a pressão por mecanismos de controle sobre operações envolvendo minerais estratégicos. A nova lei criou um conselho com poder para homologar mudanças de controle de empresas do setor e analisar acordos internacionais considerados sensíveis. Como mostrou a Folha, a Meteoric enviou amostras produzidas em Caldeira à canadense Ucore Rare Metals para testes. A Ucore negocia fornecer terras raras à americana Vulcan Elements, fabricante de ímãs que recebeu investimento da 1789 Capital, fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio. Após a publicação, a Meteoric confirmou o envio, mas afirmou que o memorando com a Ucore não é vinculante e que não existe contrato ou compromisso de venda ou fornecimento. Segundo a empresa, as avaliações são técnicas e não determinam a destinação futura de sua produção.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.