Argentina cara amea�a planos de Javier Milei

Argentina cara amea�a planos de Javier Milei

A inflação despencou, mas a Argentina continua cara. Muito cara para quem vive nela e, numa mudança impressionante para quem se acostumou a visitar o país nos últimos anos, também para quem chega de fora. É certo que Javier Milei conseguiu reduzir de maneira extraordinária uma inflação que chegou a rondar os 300% ao ano. Em agosto, o índice ficou em 1,7% ao mês. Mas inflação menor não significa preços acessíveis. No mesmo mês, a cesta básica alimentar aumentou 2,6%. Em 12 meses, quase 40%.É nesse aparente paradoxo que começa talvez o principal desafio de Milei a pouco mais de um ano da eleição presidencial de 2027. Desde o início, a narrativa do governo obedece a uma sequência: primeiro era preciso cortar gastos, equilibrar as contas e domar a inflação. Depois viriam investimentos, crescimento, emprego e recuperação dos salários. A primeira parte aconteceu. A segunda continua sendo uma promessa. Depois, quando? A pergunta ganha importância porque a Argentina que aparece nos indicadores macroeconômicos nem sempre é a mesma das ruas. A pobreza, depois de cair fortemente em relação ao choque inicial do ajuste, voltou a subir: passou de 28,2% para 32,3% no primeiro semestre deste ano. O desemprego chegou a 7,9%, e a economia perdeu fôlego. E há os aposentados, talvez a face mais visível do custo social do ajuste. A aposentadoria mínima chegou em setembro a 428.633 pesos. Com um bônus, alcança 498.633 pesos. O problema é que os 70 mil pesos desse complemento estão congelados há mais de dois anos. Não por acaso, as manifestações semanais de aposentados diante do Congresso se tornaram parte da paisagem política de Buenos Aires. O problema de Milei não é que os argentinos não tenham percebido a queda da inflação. Perceberam. É que inflação menor não significa preços menores, muito menos a recuperação imediata do poder de compra perdido durante anos. E 1,7% ao mês, embora seja uma transformação diante do que o país viveu, continua sendo uma inflação elevada. Até a Economist, publicação simpática a boa parte da agenda de reformas de mercado de Milei, resumiu recentemente o desafio numa frase: "A Argentina precisa de menos gritos e mais crescimento". Em entrevista, Milei mostrou a motosserra dourada que guarda no gabinete da Casa Rosada e a chamou de seu "brinquedo favorito". Para o presidente, ainda há muito a cortar, reformar e desregular. As pesquisas mostram o desgaste. Segundo a Management & Fit da última semana, apenas 36,6% dos argentinos aprovam o governo Milei, enquanto 58,1% o rejeitam. Mais significativo: 57,5% defendem uma mudança completa na política econômica. Salários, emprego e custo de vida ganharam protagonismo depois de anos em que a inflação dominava as preocupações. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Milei chegou ao poder prometendo um tratamento de choque e avisando que haveria sofrimento antes da recuperação. Durante boa parte do mandato, pôde pedir paciência. Agora, entra numa fase mais difícil. De olho na reeleição, já não basta mostrar que a Argentina se afastou do precipício. É preciso convencer os argentinos de que depois virá algo melhor. Milei conseguiu responder à primeira pergunta de seu governo: como interromper a inflação que parecia fora de controle? A pergunta que começa a definir a próxima eleição é outra: depois, quando? LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.