As aulas na rede municipal de ensino em Manaus estão suspensas desde o dia 9 deste mês; na rede estadual, desde o dia 13. Isso porque, a partir de setembro, a população da capital amazonense passou a enfrentar episódios de poluição atmosférica provocados pela fumaça de queimadas, com agravamento da situação em outubro. Segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro a 12 de outubro deste ano, foram registrados 7.815 focos de incêndio no Amazonas, mais do que o dobro dos 3.611 no mesmo período de 2025. Apesar de o número estar 12% abaixo da média histórica e 67% abaixo do mesmo intervalo de 2024, a alta recente de 116% é expressiva. O El Niño, que altera o padrão de circulação atmosférica, contribui para o acúmulo de fumaça em Manaus. Em vez de a fumaça ser empurrada ao oeste, em direção ao Peru, é levada à capital. Em 2024, a seca sem precedentes atingiu todo o estado durante o pico de fogo. Agora, 31% dos focos registrados entre setembro e outubro se concentram na região metropolitana da capital amazonense. Para especialistas e o Ibama, há indícios de que o incêndios são criminosos —têm origem intencional não autorizada. A proximidade dos focos de incêndio a municípios ao longo da rodovia BR-319, que leva a Manaus, reforça a percepção de causa humana possivelmente relacionada a ocupação de terras. No sábado (17), a Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas por suposto envolvimento com as queimadas. O Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas por incêndios em 19 autuações realizadas na região metropolitana de Manaus. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma ter mobilizado 11 aeronaves e 290 brigadistas, e a gestão estadual de Wilson Lima (União Brasil) diz atuar no local no combate às chamas. É bem-vindo o pedido feito pelo Ministério Público Federal de instalação de uma "sala de situação interfederativa" na capital, além de uma força-tarefa e de suspensão de autorizações para queima. O governo federal também anunciou a implantação de uma Força Nacional do SUS na capital, dado o aumento de casos de problemas respiratórios. Só a ação integrada, baseada em evidências e monitoramento, pode prevenir e conter incêndios, além de minimizar seus efeitos. O fenômeno El Niño ainda se intensificará até o primeiro semestre de 2027. A situação em Manaus alerta o país para a necessidade de preparar infraestrutura, logística, serviços públicos e segurança para o que está por vir. editoriais@grupofolha.com.br
Amazonas em chamas, Manaus sob fuma�a
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