Há uma certeza e muitos rumores a respeito do futuro da política econômica do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente reeleito reitera que nada ou quase nada precisa ser corrigido nas contas públicas. Sinaliza, ainda, ampliação e renovação de programas sociais, mesmo que não tenham deixado marca maior neste seu terceiro mandato que se encerra. A certeza é a notória resistência de Lula à reforma fiscal. No campo especulativo, o governismo lançou o nome de um candidato a ministro da Fazenda: Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí. Enquanto se fazem apostas sobre essa possível indicação, não se discute o mandato que terá qualquer um que venha a assumir a pasta. Por melhores que sejam suas qualificações, o próximo ministro estará manietado se não houver firme decisão presidencial de mudar a política econômica. Como se a oposição de Lula à reforma fiscal já não fosse grave o bastante, os temores vão além da Fazenda. A cúpula do PT, o governismo e economistas associados afirmam em público que o nível de juros estratosférico é de responsabilidade do Banco Central e influenciado por meta de inflação excessivamente baixa. Desses setores vazam ideias para preencher a diretoria do BC com economistas que se opõem à política monetária convencional e às diretrizes da atual equipe. Dos nove postos de direção do BC, dois estão desocupados há quase um ano, pois Lula não indicou postulantes para a aprovação do Senado. Outras duas vagas se abrirão a partir de março de 2027; ao final de 2028, mais duas. Teme-se que Lula procure assumir o controle da política monetária com uma enxurrada de nomeações que acabe por desafiar o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo —indicado pelo próprio presidente da República, mas criticado por não se sujeitar às preferências do governo. Uma ofensiva contra o BC pode ter vida curta, assim como a tentativa de mudar a meta de inflação de modo oportunista, já que a mera intenção de propor nomes que menosprezem o controle da inflação provocaria, de imediato, desvalorização do real e alta da taxa de juros. Mas seria otimismo imaginar que o governo se dê conta até desse risco, dada a política fiscal irresponsável que implementou. A falta de perspectiva de contenção do crescimento das despesas já pressiona juros e câmbio, e houve aperto ainda mais severo das condições financeiras desde a reeleição de Lula. Caso tal situação persista, a desaceleração já visível da economia será mais rápida, o que dificultará ainda mais o conserto fiscal. Para evitar a volta do pesadelo da inflação, o BC manteve juros de dois dígitos nos últimos cinco anos, em benefício, inclusive, do governo Lula 3. Caso o presidente derrube essa última barreira em busca de mais um estímulo de curto prazo, a economia ficará à deriva, à beira do colapso. editoriais@grupofolha.com.br
Al�m da Fazenda, BC de Lula 4 tamb�m gera incerteza
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